Tendinite de Aquiles: Como Tratar a Dor no Tendão?
A tendinite de Aquiles é uma das lesões mais comuns entre corredores, podendo causar desconforto e limitar a performance. Reconhecer suas causas e sintomas é crucial para um tratamento eficaz. Neste artigo, vamos discutir as principais causas da tendinite de Aquiles, como identificar os sinais dessa condição e quais tratamentos podem ajudar na recuperação. Vamos também abordar a importância da prevenção para corredores e quando é necessário buscar ajuda médica.
Causas da tendinite de Aquiles
A tendinite de Aquiles é uma condição inflamatória que afeta o tendão mais forte e longo do corpo, o tendão de Aquiles, localizado na parte de trás da perna. Várias são as razões que podem levar ao seu desenvolvimento, especialmente em atletas e indivíduos ativos. Entender essas causas é o primeiro passo para prevenir e tratar a dor no tendão.
Uma das principais causas é a sobrecarga ou o uso excessivo do tendão. Isso ocorre quando há um aumento rápido na intensidade ou duração dos exercícios, sem que o corpo tenha tempo para se adaptar. Corredores que aumentam subitamente a quilometragem semanal, ou que começam a subir morros com frequência sem preparo, estão mais suscetíveis. A falta de um aquecimento adequado antes da atividade física ou um alongamento insuficiente após o exercício também contribuem para essa sobrecarga.
Fatores Biomecânicos e Equipamento Inadequado
Problemas na biomecânica da corrida podem exercer estresse excessivo sobre o tendão de Aquiles. Isso inclui a pronação excessiva do pé (pé que “cai” para dentro), a rigidez ou fraqueza de certos músculos da perna e do pé, e até mesmo diferenças no comprimento das pernas. Essas alterações na forma como o corpo se move podem desalinhar as forças que atuam no tendão, levando à sua inflamação.
O uso de calçados inadequados também é um fator crítico. Tênis de corrida velhos, que perderam o amortecimento e o suporte, ou calçados que não são apropriados para o tipo de pisada do indivíduo, aumentam o risco de tendinite. Além disso, a transição abrupta de sapatos com salto para sapatos mais planos pode esticar o tendão de forma inesperada.
Outras Causas Relevantes
A falta de flexibilidade nos músculos da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo) é uma causa comum. Músculos tensos aumentam a tensão no tendão de Aquiles, tornando-o mais vulnerável a lesões. O envelhecimento também é um fator, pois os tendões tendem a perder elasticidade com o tempo, tornando-se mais propensos a lesões. Certas condições médicas, como obesidade, pressão alta ou o uso de alguns medicamentos (antibióticos do grupo das fluoroquinolonas), podem aumentar o risco de desenvolver tendinite de Aquiles.
Sintomas a observar
Reconhecer os sintomas da tendinite de Aquiles é fundamental para buscar tratamento cedo e evitar que a condição piore. A dor no tendão é o sinal mais evidente, mas outros indicativos também merecem atenção.
Dor no Tendão de Aquiles
O sintoma principal é a dor na parte de trás da perna, logo acima do calcanhar. Essa dor pode ser sentida como uma pontada, queimação ou uma sensação de rigidez. Ela geralmente:
- É pior pela manhã, ao dar os primeiros passos.
- Aumenta com a atividade física, como correr ou pular.
- Diminui com o repouso, mas pode retornar rapidamente ao retomar os movimentos.
- Pode ser mais intensa após períodos de inatividade prolongada.
Corredores costumam sentir essa dor no início da corrida e, às vezes, ela melhora durante o aquecimento, mas piora novamente ao final do treino ou no dia seguinte. Se a dor persistir ou se tornar mais intensa, é um sinal claro de que o tendão está inflamado e precisa de atenção.
Outros Sinais Importantes
Além da dor, observe outros sintomas que acompanham a tendinite de Aquiles:
- Rigidez: Uma sensação de enrijecimento na parte de trás do calcanhar, especialmente ao acordar ou após um período sentado.
- Inchaço: Pode haver um leve inchaço ou espessamento do tendão. Em alguns casos, um nódulo pode ser palpável.
- Sensibilidade ao toque: O tendão pode estar muito sensível ao ser tocado, principalmente na sua porção média ou onde se insere no osso do calcanhar.
- Crepitação: Um som ou sensação de “ranger” quando você move o tornozelo, especialmente se o inchaço for grande.
- Dificuldade para flexionar o pé: Em casos mais avançados, pode haver dificuldade em levantar o pé ou em realizar movimentos que exigem a força do tendão de Aquiles.
É crucial não ignorar esses sinais, pois a tendinite não tratada pode evoluir para problemas mais sérios, incluindo a ruptura do tendão. Se você identificar um ou mais desses sintomas, é hora de considerar o próximo passo: procurar um médico e discutir as opções de tratamento.
Tratamentos disponíveis

Uma vez que os sintomas da tendinite de Aquiles são identificados, iniciar o tratamento adequado é essencial para aliviar a dor e promover a recuperação do tendão. O plano de tratamento geralmente combina diferentes abordagens, dependendo da gravidade e da duração da condição.
Medidas Iniciais e Repouso
Para casos leves ou no início dos sintomas, o princípio RICE é um bom começo: Repouso, Gelo, Compressão e Elevação. O repouso é fundamental para permitir que o tendão inflamado se recupere. Evitar atividades que causam dor é crucial. A aplicação de gelo na área afetada por 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia, ajuda a reduzir a inflamação e a dor. Em alguns casos, o médico pode indicar o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para controlar a dor e a inflamação, mas estes não devem ser usados por longos períodos sem orientação.
Fisioterapia e Exercícios Específicos
A fisioterapia é a pedra angular do tratamento para a maioria dos casos de tendinite de Aquiles. Um fisioterapeuta pode desenvolver um programa de exercícios que inclui:
- Alongamentos: Para melhorar a flexibilidade dos músculos da panturrilha e do próprio tendão de Aquiles.
- Fortalecimento: Exercícios para fortalecer os músculos da panturrilha e outros músculos da perna e do pé, que dão suporte ao tendão. O fortalecimento excêntrico, onde o músculo se alonga sob carga, é particularmente eficaz.
- Mobilização: Técnicas para melhorar a mobilidade do tornozelo.
Além disso, o fisioterapeuta pode usar modalidades como ultrassom, laser ou eletroestimulação para auxiliar na redução da dor e da inflamação.
Outras Opções de Tratamento
Em situações onde as terapias conservadoras não são suficientes, outras opções podem ser consideradas:
- Uso de palmilhas ou calcanheiras: Podem ajudar a ajustar a biomecânica do pé, reduzir a tensão no tendão e oferecer amortecimento extra.
- Terapia por ondas de choque (TOC): É uma opção não invasiva que usa ondas de energia para estimular a cura do tendão.
- Injeções: Em alguns casos, injeções de plasma rico em plaquetas (PRP) podem ser consideradas para estimular a recuperação. Injeções de corticoides são geralmente evitadas devido ao risco de enfraquecimento e ruptura do tendão.
- Cirurgia: É reservada para casos crônicos e graves, onde os tratamentos conservadores falharam por muitos meses, ou em situações de ruptura do tendão. O objetivo da cirurgia é remover o tecido danificado e reparar o tendão.
É importante lembrar que a paciência e a adesão ao plano de tratamento são cruciais para a recuperação completa e para evitar futuras recorrências da dor no tendão.
Prevenção de lesões no tendão
A prevenção é a melhor estratégia para evitar a tendinite de Aquiles e manter a saúde do tendão. Adotar hábitos inteligentes no seu treino e no dia a dia pode reduzir significativamente o risco de desenvolver essa dor incômoda. Cuidar do tendão de Aquiles é fundamental para corredores e para quem pratica outras atividades físicas.
Progressão Cautelosa nos Treinos
Um dos maiores erros que levam à tendinite é o aumento muito rápido da carga de treino. É importante seguir a regra de não aumentar mais de 10% a distância, intensidade ou duração dos seus treinos por semana. Isso dá tempo para o seu corpo, e especialmente para o tendão, se adaptar às novas exigências. Inclua dias de descanso na sua rotina para permitir a recuperação muscular e do tendão.
Aquecimento e Alongamento Adequados
Sempre comece sua atividade física com um aquecimento leve, como uma caminhada rápida ou um trote suave, por 5 a 10 minutos. Isso prepara os músculos e tendões para o esforço. Após o treino, dedique um tempo ao alongamento dos músculos da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo), mantendo cada alongamento por cerca de 20 a 30 segundos. A flexibilidade é chave para reduzir a tensão no tendão de Aquiles.
Fortalecimento Muscular Específico
Músculos da panturrilha fortes e equilibrados ajudam a proteger o tendão. Inclua exercícios de fortalecimento, como elevações de panturrilha (subir na ponta dos pés), em sua rotina. O fortalecimento excêntrico, que envolve o controle do movimento enquanto o músculo se alonga (como descer lentamente de uma elevação de panturrilha), é particularmente benéfico para a saúde do tendão de Aquiles. Um fisioterapeuta pode orientar sobre os melhores exercícios para você.
Escolha o Calçado Correto
Use sempre tênis que ofereçam bom suporte e amortecimento, e que sejam apropriados para o seu tipo de pisada e para a atividade que você pratica. Substitua seus tênis de corrida regularmente, geralmente a cada 500-800 km, ou quando você notar que o amortecimento está gasto. Calçados inadequados ou velhos não oferecem a proteção necessária ao tendão.
Ouça o Seu Corpo
Aprenda a reconhecer os primeiros sinais de dor ou desconforto no tendão. Se você sentir uma dor persistente, diminua a intensidade ou pare a atividade. Ignorar a dor pode levar a uma lesão mais grave. A recuperação em estágios iniciais é muito mais rápida e simples do que tratar uma tendinite crônica.
Adotando essas práticas, você pode desfrutar dos benefícios da atividade física enquanto protege seu tendão de Aquiles de lesões, mantendo-se ativo e livre de dor.
Impacto na corrida
A tendinite de Aquiles é uma das lesões mais temidas pelos corredores, e por um bom motivo. O tendão de Aquiles é essencial para a mecânica da corrida, atuando como uma mola que impulsiona o corpo para frente. Quando inflamado, o impacto na performance e na rotina de treinos é imediato e significativo.
Limitação da Performance e Dor Constante
Com a tendinite de Aquiles, a dor é o fator principal que impede o corredor de manter seu ritmo e distância habituais. Muitos relatam uma dor aguda que piora durante a corrida ou logo após, forçando a diminuição da velocidade ou até a interrupção completa do treino. A rigidez matinal e a dor ao iniciar a corrida são comuns, tornando os primeiros quilômetros um desafio. Essa limitação pode levar a:
- Redução da quilometragem: Dificuldade em manter os volumes de treino planejados.
- Alteração na técnica de corrida: O corpo tenta compensar a dor, mudando a pisada ou a postura, o que pode gerar novas dores em outras partes do corpo, como joelhos e quadris.
- Falta de força e impulsão: O tendão enfraquecido não consegue gerar a mesma potência, afetando a velocidade e a capacidade de enfrentar subidas.
Consequências a Longo Prazo e Risco de Agravamento
Correr com tendinite de Aquiles não só piora a condição, como também aumenta o risco de lesões mais sérias. A inflamação pode se tornar crônica e, em casos extremos, levar à ruptura do tendão de Aquiles. Essa é uma lesão grave que exige cirurgia e um longo período de recuperação, afastando o corredor das pistas por muitos meses.
Além do impacto físico, há também o impacto psicológico. A frustração por não poder correr, a ansiedade com a recuperação e o medo de uma recidiva podem afetar o bem-estar mental do atleta. É crucial que o corredor entenda a importância de pausar, tratar e se recuperar completamente antes de retomar os treinos. Ignorar os sinais do corpo só prolonga o sofrimento e retarda o retorno à corrida de forma saudável.
Quando procurar um médico

Embora muitas vezes a tendinite de Aquiles possa ser gerenciada com repouso e cuidados em casa no início, existem momentos cruciais em que procurar um médico se torna essencial. Ignorar certos sinais ou tentar tratar uma lesão mais séria por conta própria pode atrasar a recuperação e agravar o problema.
Sinais de Alerta para Procurar Ajuda Médica
Você deve considerar agendar uma consulta com um profissional de saúde, como um ortopedista ou fisioterapeuta, se:
- A dor não melhora: Se a dor no tendão de Aquiles persistir por vários dias, mesmo com repouso, gelo e medidas básicas de cuidado.
- Piora dos sintomas: Se a dor aumentar em intensidade, se espalhar, ou se tornar mais frequente.
- Inchaço significativo: Se houver um inchaço notável ou um nódulo palpável no tendão.
- Dificuldade para andar ou mover o pé: Se você tiver dificuldade para se apoiar no pé afetado, para levantar os dedos dos pés ou se sentir fraqueza na panturrilha.
- Rigidez extrema pela manhã: Se a rigidez for tão intensa que impede ou dificulta muito os primeiros passos do dia.
- Dor súbita e intensa com um “estalo”: Este é um sinal de alerta para uma possível ruptura do tendão de Aquiles, uma emergência que exige atenção médica imediata. Você pode sentir como se tivesse levado um chute na panturrilha.
- Histórico de doenças: Se você tem condições médicas como diabetes, pressão alta ou está tomando medicamentos que podem afetar tendões.
A Importância do Diagnóstico Precoce
Buscar avaliação médica cedo é importante para um diagnóstico preciso. O médico poderá diferenciar a tendinite de outras condições, como uma fascite plantar ou até uma ruptura parcial do tendão. Um diagnóstico correto é a base para um plano de tratamento eficaz, que pode incluir fisioterapia, medicamentos específicos ou outras intervenções. Não espere a dor se tornar insuportável ou crônica para procurar ajuda. Quanto antes você buscar tratamento, mais rápida e completa será sua recuperação e seu retorno às atividades, incluindo a corrida.
A tendinite de Aquiles é uma condição desafiadora, especialmente para quem pratica atividades físicas como a corrida. Como vimos, ela pode ser causada por diversos fatores, desde sobrecarga nos treinos até o uso de calçados inadequados e problemas biomecânicos. Reconhecer os sintomas a observar, como dor, rigidez e inchaço, é o primeiro passo crucial para um tratamento eficaz.
Felizmente, existem muitos tratamentos disponíveis, que vão desde repouso e fisioterapia até, em casos mais raros, intervenção cirúrgica. A prevenção de lesões no tendão, através de um aumento gradual na carga de treino, aquecimento e alongamento adequados, fortalecimento muscular e a escolha correta do calçado, é a melhor maneira de manter o tendão saudável e evitar o impacto negativo na corrida.
É vital ouvir o seu corpo e saber quando procurar um médico. Ignorar a dor ou tentar “correr através dela” pode levar a complicações sérias, incluindo a ruptura do tendão. Com a abordagem certa – combinando prevenção, atenção aos sintomas e tratamento adequado – é possível superar a tendinite de Aquiles e voltar a desfrutar da corrida com saúde e sem dor.
FAQ – Perguntas Frequentes sobre Tendinite de Aquiles
O que é a tendinite de Aquiles?
É uma inflamação do tendão de Aquiles, o maior tendão do corpo, localizado na parte de trás da perna, logo acima do calcanhar, causando dor e desconforto.
Quais são as causas mais comuns da tendinite de Aquiles?
As causas incluem sobrecarga ou uso excessivo do tendão, calçados inadequados, falta de flexibilidade nos músculos da panturrilha e problemas na biomecânica da corrida.
Quais são os principais sintomas a observar?
Os sintomas incluem dor na parte de trás do calcanhar (pior pela manhã ou com atividade), rigidez, inchaço e sensibilidade ao toque no tendão.
Como a tendinite de Aquiles é tratada?
O tratamento geralmente envolve repouso, aplicação de gelo, fisioterapia (com alongamentos e fortalecimento excêntrico), uso de palmilhas e, em casos mais severos, terapias como ondas de choque ou cirurgia.
Como posso prevenir a tendinite de Aquiles?
A prevenção foca em progressão gradual nos treinos, aquecimento e alongamento adequados, fortalecimento muscular da panturrilha e o uso de calçados apropriados e em bom estado.
Qual o impacto da tendinite de Aquiles na corrida?
A tendinite pode limitar significativamente a performance, causar dor constante, alterar a técnica de corrida e, se não tratada, aumentar o risco de uma ruptura do tendão, exigindo afastamento da atividade.
