Promessas de última hora e a corrida eleitoral de 2026: custo e coerência
Campanha eleitoral em 2026 acelera com promessas que mexem tanto nas finanças públicas quanto nos princípios políticos — até onde vale trocar coerência por votos?
A Corrida Eleitoral de 2026 e o Custo da Demagogia
A reta final do segundo turno presidencial em 2026 revela um cenário preocupante. Candidatos têm recorrido a promessas de alto impacto financeiro e mudanças bruscas de posicionamento ideológico para conquistar votos, sacrificando a coerência em nome da vitória. Essa estratégia cria um ambiente de cinismo que acaba beneficiando discursos antissistema.
O Impacto Fiscal das Promessas Eleitorais
O esforço para reverter quadros eleitorais adversos tem um preço alto para os cofres públicos. No caso de Lula, o pacote de medidas inclui desoneração de combustíveis, expansão do programa Pé-de-Meia universitário e benefícios para microempreendedores. Estima-se que o impacto total dessas ações, somando gastos, renúncias fiscais e créditos subsidiados, alcance a marca de R$ 290 bilhões entre 2026 e 2027.
Vale lembrar que essa prática não é inédita. Há quatro anos, Jair Bolsonaro adotou estratégias similares, como a chamada “PEC Kamikaze”, que gerou despesas ainda mais elevadas para o orçamento federal.
Mudanças de Rumo e o Sacrifício de Princípios
Além do peso financeiro, a disputa eleitoral tem forçado candidatos a abandonar bandeiras históricas. Entre as mudanças de postura observadas, destacam-se:
- Lula: Passou a defender a redução da maioridade penal para crimes hediondos, uma proposta que ele e o PT historicamente combatiam.
- Flávio Bolsonaro: Votou pelo fim da escala 6×1, medida que criticava anteriormente.
- Flávio Bolsonaro: Adotou uma postura favorável ao Bolsa Família, programa que já classificou como “bolsa farelo”.
- Flávio Bolsonaro: Mudou seu posicionamento em relação ao Farmácia Popular, aproximando-se de uma política que antes rejeitava.
O Cinismo como Gramática Política
Embora a política exija um equilíbrio entre atender aos desejos populares e manter a consistência doutrinária, o cenário atual parece ter rompido esse limite. Quando os candidatos abrem mão de qualquer disfarce para buscar o poder, a mensagem transmitida ao eleitor é de que princípios são descartáveis. Esse comportamento alimenta uma gramática cínica, que acaba enfraquecendo a política institucional e dando fôlego a retóricas que se vendem como antissistema.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
