Idosa de 62 anos bate recorde de 15 km após colocar marca-passo

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Corrida é mais do que um esporte; é uma forma de vida! Elizete Santos, aos 62 anos, mostra que nunca é tarde para superar desafios e inspirar outros. Vamos conhecer sua história?

Elizete Santos: A Corredora de 62 Anos Que Desafia Limites Após um Marca-Passo

A história de Elizete Santos é um verdadeiro sprint de superação. Aos 62 anos, essa cuidadora de São Paulo não só mantém uma rotina de trabalho das 8h às 17h, mas ainda encontra energia para correr 10 km todos os dias. Parece inacreditável, né? Mas a paixão pela corrida transformou sua vida, especialmente depois de um desafio de saúde que a levou a colocar um marca-passo.

Como Tudo Começou: Uma Jornada de 20 Anos

Há duas décadas, Elizete era uma pessoa sedentária e enfrentava crises de hipertensão. Foi uma recomendação médica que a impulsionou a mudar. “Você precisa fazer atividade física”, ouviu do cardiologista. Para quem não tinha o hábito, a ideia parecia um muro intransponível. Ela encontrou um grupo de corrida no Pacaembu, em São Paulo, e por 12 anos, essa parceria foi fundamental. Mas, em 2016, o grupo encerrou as atividades, e Elizete se viu sem rumo.

A Virada com o Grupo “Vem Com Nóis”

A solução veio de uma amiga, que descobriu um novo coletivo de corrida: o “Vem Com Nóis”, fundado em 2016 por Caio Bellentani. Elizete, mesmo sendo uma das mais experientes em idade, adorou o ambiente jovem e acolhedor. “Só tinha juventude”, ela lembra, rindo. Enquanto a amiga não se adaptou, Elizete sentiu que ali era o seu lugar. O acolhimento foi a chave para ela permanecer e se integrar.

O Papel Essencial do Pacer: Acolhimento e Motivação

Com o tempo, Elizete se tornou uma “pacer” no “Vem Com Nóis”, um papel que ela já desempenhava naturalmente. Convidada por André, ela aceitou a missão de orientar, acompanhar e motivar os iniciantes. Para quem não está familiarizado com o universo da corrida, o pacer é aquela pessoa que garante que ninguém desista ou fique para trás, especialmente os que têm um ritmo mais lento, geralmente em percursos de 3 km. “Se joga, porque aqui não tem esse negócio de ficar ali escondidinho, não. É todo mundo unido”, ela costuma dizer, com um sorriso que abre portas.

Superando o Marca-Passo e Batendo Recordes

A jornada de Elizete teve um momento de pausa forçada. Ela precisou de uma cirurgia para colocar um marca-passo. Mas nem isso a parou! Duas horas após o procedimento, ela já estava andando pelos corredores do hospital. Ao ser questionada pelo médico, ela respondeu com a garra de uma verdadeira corredora: “O senhor me operou o coração, não foi minhas pernas. Então eu vou andar”.

A volta aos treinos foi gradual: caminhadas curtas, depois mais longas. Nove meses após a cirurgia, veio a liberação para correr, com cautela. Um ano depois, a permissão para trechos maiores. Foi então que ela encarou e venceu os 15 km na Marginal Pinheiros, mesmo com frio e chuva, sem sentir absolutamente nada. Uma prova de que a mente e o corpo, quando alinhados, são imparáveis.

Preconceito e a Força da Comunidade

Dentro do “Vem Com Nóis”, Elizete nunca sentiu preconceito. Pelo contrário, o grupo a incentiva e a celebra. No entanto, fora do coletivo, ela percebe olhares e comentários velados sobre idosos praticando corrida. Mas os elogios e a inspiração que ela gera (“sigo seu exemplo”) são mais fortes. Para ela, o grupo é fundamental para criar um senso de pertencimento, especialmente para quem, como ela, pode sentir uma distância geracional. “A garotada te abraça, te beija, te levanta, te joga de cabeça para baixo, faz de tudo. Eu gosto dessa parte”, ela compartilha, mostrando a alegria de ser parte de algo maior.

A Corrida Como Estilo de Vida: Conselhos e Reflexões

Com 20 anos dedicados ao esporte, Elizete não se arrepende de nenhum esforço. Sua próxima meta? Os 42 km de uma maratona. Para os idosos que pensam em começar, ela tem um conselho direto: “Não precisa ter vergonha de sair correndo porque tem 50 ou 60 mais, 70 mais. Eu tenho 62. Não espere a doença chegar para você poder se mexer”.

Ela enfatiza que não existe um momento perfeito, a companhia ideal, a melhor roupa ou o tênis mais caro para começar. “Veste uma roupa de esporte e vai lá, faz a sua parte. Não espera ninguém te chamar, porque esse dia nunca vai chegar. Só vai chegar gente para te pôr para baixo”, alerta. A corrida, para ela, é uma paixão que traz alegria e autoconfiança, um amor comparável ao de um torcedor por seu time.

O Lado B do “Hype”: Críticas ao Comércio da Corrida

Elizete também faz uma crítica ao cenário atual das corridas. Se antes as inscrições custavam cerca de R$40 a R$50, hoje, eventos como a São Silvestre têm preços exorbitantes, e é difícil encontrar uma prova por menos de R$100. “Como que falam que correr faz bem para a saúde, mas se eu não tenho R150 para dar não posso participar?”, questiona. Ela aponta a falta de apoio para os “pipocas” (corredores sem inscrição) e sugere mais corridas acessíveis, especialmente para idosos.

Outro ponto de atenção são as calçadas de São Paulo, muitas vezes esburacadas, que já a fizeram cair algumas vezes. “Graças a Deus eu nunca me quebrei”, diz, ressaltando os riscos para quem pratica o esporte nas ruas.

O Futuro e o Convite de Elizete

Elizete não pensa em parar. Além da maratona, ela continua firme como pacer no “Vem Com Nóis”, com a porta sempre aberta para quem quiser se juntar. “A gente acolhe todo mundo, seja ele de que idade for. Estamos prontos para abraçar, sorrir, dar uma palavra de conforto, de carinho para quem quiser chegar”, garante. A rua é livre, a praça é livre, e a inspiração de Elizete Santos continua correndo, mostrando que a idade é apenas um número quando a paixão e a determinação movem cada passo.

Fonte: Terra

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