Flexibilidade na Corrida: O Que a Ciência Diz Sobre Mobilidade e Desempenho

Flexibilidade na Corrida: O Que a Ciência Diz Sobre Mobilidade e Desempenho
Flexibilidade na Corrida: O Que a Ciência Diz Sobre Mobilidade e Desempenho
0:00 / 0:00

Flexibilidade é um tema que gera muitas dúvidas entre corredores. Você já se perguntou como ela pode impactar seu desempenho e prevenir lesões? Vamos explorar juntos!

Flexibilidade na Corrida: O Que a Ciência Diz Sobre Mobilidade e Desempenho

E aí, corredores! Já pararam para pensar no papel da flexibilidade na nossa paixão? No universo da corrida de rua, onde o corpo enfrenta impactos repetitivos e exige ajustes constantes, a mobilidade articular é um tema que gera bastante debate. Alguns a consideram fundamental, outros a veem como algo secundário. Mas o que a ciência realmente nos diz sobre como ela pode influenciar nosso desempenho e, mais importante, nos proteger de lesões?

O Que Significa Ter Flexibilidade para Correr?

Quando falamos em flexibilidade ou mobilidade, estamos nos referindo à capacidade de uma articulação e dos tecidos ao seu redor — como músculos, tendões e fáscias — de se moverem por toda a sua amplitude de forma funcional, sem dor ou restrições. Para nós, corredores, não basta ser “flexível”. É crucial que essa flexibilidade esteja em sintonia com a força, a estabilidade e a coordenação. Assim, ela ajuda a distribuir as cargas, absorver o impacto e tornar nosso movimento mais eficiente.

É bom lembrar que o “grau ideal de flexibilidade” pode variar bastante. Depende do esporte, do tipo de corrida, do comprimento da passada, do terreno, do tipo de fibra muscular e até das características individuais de cada um.

O Que a Ciência Revela Sobre Flexibilidade e Corrida

Alongamento e Economia de Corrida

Uma meta-análise de 2025, que é um compilado de estudos e representa uma das melhores evidências científicas, concluiu que o efeito do alongamento (seja ele estático ou dinâmico) na economia de corrida é pequeno e não estatisticamente significativo. Ou seja, não há uma evidência forte de que alongar antes de correr melhore diretamente o quanto de energia você gasta. A mesma revisão aponta para a falta de estudos de longo prazo sobre o tema, o que dificulta conclusões sobre os efeitos crônicos do alongamento.

Treino de Força e Mobilidade: Uma Dupla Poderosa

Um estudo recente mostrou que o treinamento resistido, aquele com cargas externas, pode aumentar a amplitude de movimento de forma eficaz. Isso sugere que combinar força e mobilidade pode ser tão, ou até mais, eficiente do que focar apenas em alongamentos isolados. Revisões que compararam alongamento estático com treinos de força mais alongamento indicaram que os ganhos de amplitude de movimento são bem parecidos, mostrando que a força pode “capturar” muitos dos benefícios da mobilidade. Em atletas, programas de mobilidade (com movimentos ativos e técnicas específicas) trazem benefícios consistentes: 20 de 22 estudos revisados apontaram melhorias na performance ou nos padrões funcionais.

Biomecânica, Padrões de Movimento e Risco de Lesão

Revisões sistemáticas sobre os fatores de risco biomecânicos para lesões na corrida frequentemente associam alterações em ângulos articulares e desalinhamentos (como joelho valgo, pronação excessiva ou déficit de dorsiflexão no tornozelo) a lesões por uso excessivo. Intervenções de prevenção de lesões que combinam força, controle neuromotor, mobilidade e educação mostram resultados superiores a protocolos focados apenas em alongamento ou só no volume de corrida. Por exemplo, um estudo de 18 semanas que combinou treino de força e rolo de liberação miofascial indicou que corredores mais aderentes ao protocolo demoraram, em média, 57 dias a mais para sofrer lesões e tiveram uma probabilidade 85% menor de lesões relacionadas à corrida, em comparação com o grupo controle.

Dicas Práticas para Integrar a Flexibilidade ao Seu Treino

Com base no que a ciência nos mostra, aqui estão algumas dicas para você aplicar no seu dia a dia de corredor:

  • Individualize seu treino: Cada corredor é único. O que funciona para um, pode não ser o ideal para você. Adapte os exercícios à sua morfologia, histórico de lesões e padrões de movimento.
  • Integre com treino de força: Não trabalhe a mobilidade de forma isolada. Fortalecer os músculos ao redor das articulações é crucial para dar suporte e estabilidade, evitando que a articulação fique “flexível demais” e vulnerável.
  • Progrida com cuidado: Aumentar a amplitude de movimento de forma abrupta e sem controle pode causar microlesões. Vá com calma e respeite os limites do seu corpo.
  • Use monitoramento: Registre sua mobilidade, corrija desequilíbrios e fique atento a dores ou sinais de sobrecarga. Isso ajuda a ajustar seu plano de forma inteligente.

Conclusão: O Equilíbrio é a Chave

A flexibilidade é, sem dúvida, uma peça valiosa no quebra-cabeça do corredor, mas ela não age sozinha. O verdadeiro segredo está no equilíbrio entre mobilidade, força, estabilidade e uma técnica de corrida eficiente. É essa combinação que nos dá adaptabilidade, melhora a eficiência do movimento e diminui a probabilidade de lesões. Priorize a mobilidade ativa e dinâmica no aquecimento, reserve os alongamentos estáticos para momentos mais apropriados e, acima de tudo, integre tudo isso a um programa completo que inclua treino de força, controle motor e, se possível, uma avaliação biomecânica. Como bem ressalta Felippe Ribeiro, especialista no assunto, essa abordagem integrada é o caminho para uma corrida mais inteligente e duradoura.

Fonte: Runnersbrasil.com

Conteúdos Relacionado