Por que a musculação é essencial para corredores?

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Você sabia que a musculação é fundamental para quem corre? Muitos corredores negligenciam essa parte do treinamento, mas ela é essencial para evitar lesões e melhorar o desempenho. Vamos entender por que isso acontece!

A Corrida e a Musculação: Uma Parceria Essencial para Corredores

A corrida de rua é, sem dúvida, um dos esportes mais acessíveis e populares do mundo. Desde a Grécia Antiga, Suméria e festivais egípcios, com registros que datam de antes de 3.000 a.C., onde faraós já corriam para provar sua aptidão, até os dias de hoje, a ideia de que basta um bom tênis e sair correndo é bastante difundida. Mas, para quem busca saúde e desempenho duradouros, a história é um pouco diferente.

Por Que a Musculação é Indispensável para Quem Corre?

Se você pensou em fugir da academia ao abraçar a corrida, é hora de repensar. Especialistas em atividade física são unânimes: a musculação é crucial para corredores. Ela não só ajuda a prevenir lesões, mas também otimiza o desempenho. A médica do exercício e do esporte Mariana Camargo, que é preceptora da residência de Medicina Esportiva da Faculdade de Medicina da USP, explica que precisamos fortalecer a musculatura para que ela suporte a carga, tenha potência e resistência para aguentar o ritmo da corrida.

Como o Treino de Força Protege Seu Corpo

O fortalecimento muscular é um escudo contra problemas. Ele estabiliza as articulações e fortalece os tendões, diminuindo o risco de lesões comuns, como as fraturas de estresse — aquelas pequenas fissuras nos ossos causadas pelo impacto repetitivo. Além disso, um corpo mais forte gasta menos energia para realizar o mesmo movimento, o que é um ganho e tanto para qualquer corredor.

O médico do esporte e fisiatra Fabrício Buzatto alerta para a falsa sensação de facilidade da corrida. É comum começar com 3 km por dia e logo querer saltar para 5 km ou até 10 km sem a devida preparação. É nesse aumento brusco de volume que as lesões aparecem. A musculação, nesse contexto, é a base que permite essa progressão de forma segura.

Musculação e Desempenho: Corra Mais e Melhor

Além de prevenir lesões, a musculação aprimora sua performance. Ela melhora o controle neuromotor, ou seja, a capacidade do seu sistema nervoso de ativar os músculos de forma eficiente para a corrida. Isso significa que você corre com mais técnica e menos desgaste. Um acompanhamento profissional, especialmente no início, é fundamental para evitar armadilhas e garantir que você esteja no caminho certo.

Resistência, Força ou Potência: Qual o Melhor Treino?

Muitos corredores se perguntam qual tipo de treino muscular é o ideal. A médica Mariana Camargo sugere que o segredo está em não focar em apenas um. O ideal é trabalhar todas as capacidades musculares: potência (contração rápida), resistência (suportar carga moderada por mais tempo) e força (capacidade máxima de contração). Paula Lavieri, educadora física do Cepeusp, destaca que exercícios de força máxima (poucas repetições com mais peso) permitem fazer menos esforço com a mesma intensidade e velocidade na corrida.

Para quem está começando, a dica é iniciar com cargas leves e aumentar gradualmente, sempre com orientação. O tipo de corrida também influencia: provas curtas (100 a 400 m) exigem mais força e potência, enquanto corridas longas dependem mais de resistência.

Treino Inteligente: Foco nos Movimentos da Corrida

O treino de força para corredores deve ser específico. Em vez de focar apenas no crescimento muscular, o ideal é priorizar exercícios com maior mobilidade, unilaterais e com peso livre, que simulem os movimentos da corrida. Treinos curtos e direcionados podem ser mais eficazes do que sessões longas e genéricas, segundo a Dra. Camargo.

O Corpo Todo na Pista: Não Negligencie Nenhum Músculo

Pensar que só as pernas importam na corrida é um erro comum. Marcelo Avelar, educador físico e treinador da CZN Assessoria de Corrida, ressalta que a movimentação dos braços, o suporte do tronco e a expansão da caixa torácica são igualmente essenciais. Um peito forte facilita a respiração, ombros definidos evitam posturas arqueadas e braços e abdômen bem trabalhados contribuem para a eficiência da passada.

O médico Fabrício Buzatto aponta que muitas lesões em corredores estão ligadas ao quadril, frequentemente porque homens tendem a negligenciar o treino de glúteos e adutores (parte interna da coxa). Esses músculos são vitais para a sustentação, estabilidade e postura. Como a corrida envolve tirar os dois pés do chão, o impacto é grande, e o joelho, seguido pelo quadril, são os primeiros a sentir. O corpo funciona como um todo, e pular exercícios pode ter consequências sérias.

Musculação Fora da Academia: É Possível?

Nem todo mundo se adapta ao ambiente de academia, seja pelo custo ou pela preferência por espaços abertos. Marcelo Avelar, tricampeão da Meia Maratona Disney, confirma que existem alternativas. Treinar em casa ou em parques, com exercícios funcionais que usam o peso do corpo (agachamentos, saltos), é uma ótima opção. No entanto, é importante lembrar que, para continuar progredindo, em algum momento será necessário adicionar pesos extras, pois o peso corporal sozinho pode se tornar fácil demais e não gerar mais benefícios.

Quando e Com Que Frequência Treinar Musculação?

A frequência ideal de musculação varia conforme o nível e os objetivos do corredor. Marcelo Avelar sugere que o foco maior deve ser no início da temporada, no período de base, geralmente no começo do ano. Nesse momento, a musculação deve ser mais frequente para construir um alicerce sólido. Depois, a frequência pode diminuir para manutenção.

A Dra. Mariana Camargo recomenda de duas a três sessões de musculação por semana, que podem ser mais curtas e focadas. O ideal é separar os treinos: um dia para corrida, outro para musculação. Isso permite a recuperação muscular e evita a fadiga, que pode prejudicar o desempenho e aumentar o risco de lesões. Se for preciso juntar os treinos no mesmo dia, a dica é espaçá-los e optar por um treino muscular mais leve quando a corrida for intensa, e vice-versa. Uma planilha de treinos bem elaborada, com supervisão profissional, é sempre a melhor estratégia.

É importante ter cuidado para não exagerar. Marcelo Avelar alerta que o excesso de ganho de massa muscular (hipertrofia) pode deixar o corredor mais pesado e menos resistente, o que é prejudicial para provas de longa distância, como uma maratona. Já para corridas curtas (100 a 400 m), mais força e potência são bem-vindas. A Dra. Camargo finaliza lembrando que a musculação inadequada pode exaurir os músculos, levando à fadiga e aumentando o risco de lesões, comprometendo a performance geral.

Fonte: Gama Revista

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