Como o ciclo menstrual impacta o desempenho na corrida de rua

Você sabia que o ciclo menstrual pode influenciar diretamente seu desempenho na corrida? Neste artigo, vamos explorar como as fases do ciclo afetam sua energia e resistência, além de dicas para adaptar seus treinos.
Desvendando o Impacto do Ciclo Menstrual na Corrida de Rua
Para muitas corredoras, o desempenho nas pistas não é uma linha reta. As oscilações hormonais do ciclo menstrual podem ser um fator decisivo, influenciando desde a energia até a recuperação. Entender essas mudanças é o primeiro passo para transformar desafios em estratégias de treino mais inteligentes.
A Realidade das Corredoras: Histórias e Desafios
A experiência da operadora de anúncios digitais Mayra Cristina Martins Pinto, de 27 anos, ilustra bem essa realidade. Ela relata períodos de total disposição para correr, contrastando com semanas em que as dores menstruais são intensas, causando cólicas, inchaço, e dores nas pernas e coluna, o que prejudica significativamente seus treinos e provas. Mayra, que recebeu o diagnóstico de endometriose em 2019, sente essas variações de forma ainda mais drástica.
Ela compartilha um episódio marcante: “Em uma meia maratona, a ansiedade antecipou meu ciclo, e o resultado foi péssimo. Senti dores intensas, ‘quebrei’ no sexto quilômetro e sofri até o fim. Um mês depois, em outra meia maratona, tudo foi perfeito.” Essa história ressalta como o corpo feminino responde de maneira única às fases do ciclo.
A Ciência por Trás da Corrida e do Ciclo
A médica do esporte Carla Tavares, que coordena os serviços de medicina do exercício e esporte da Rede Mater Dei de Saúde, confirma que o ciclo menstrual pode, sim, afetar o condicionamento físico, embora a resposta seja individual. Estudos indicam que entre 50% e 67% das mulheres experimentam sintomas que impactam sua prática esportiva. Mulheres com fluxo menstrual mais intenso, por exemplo, correm maior risco de deficiência de ferro e anemia, o que compromete o transporte de oxigênio para os músculos e a performance.
Os hormônios sexuais femininos são os grandes protagonistas dessas mudanças. O estrogênio, por exemplo, é um aliado: ele impulsiona a produção de energia, diminui a inflamação e acelera a recuperação muscular. Já a progesterona tem um efeito mais catabólico, podendo elevar a temperatura corporal e diminuir a resistência.
Entendendo e Respeitando o Ciclo: A Chave para o Sucesso
Conhecer o próprio corpo é fundamental. A publicitária Isis de Castro Almeida, de 30 anos, é um exemplo de como o autoconhecimento pode transformar a relação com a corrida. Ela aprendeu a identificar as fases do seu ciclo e a respeitar seus limites. “Nos dias de desconforto, eu não paro de treinar, pois sinto que o exercício leve até alivia os sintomas. Mas diminuo a intensidade, corro mais devagar ou reduzo a distância, sempre ouvindo o que meu corpo pede”, explica.
O educador físico Flávio Spuri, que oferece assessoria para corredores, reforça a importância da personalização. Ele ajusta os treinos de suas alunas quando elas relatam sintomas, priorizando o bem-estar e adaptando a intensidade ou o tempo de corrida para otimizar a experiência.
As Quatro Fases do Ciclo Menstrual e o Treino (21 a 35 dias)
O ciclo menstrual é dividido em quatro fases principais: folicular precoce, folicular tardia, ovulação e lútea. A Dra. Carla Tavares sugere que cada mulher observe como se sente em cada uma delas para adaptar o treino:
- Menstruação (dias 1 a 5): Exercícios leves a moderados, como caminhada, bicicleta ou yoga, podem ajudar a reduzir as cólicas.
- Fase Folicular (dias 6 a 14): Com o aumento da energia, é um ótimo período para focar em exercícios mais aeróbicos.
- Ovulação (cerca do dia 14): Esta fase geralmente traz o auge da energia, força e desempenho. Contudo, é preciso ter atenção redobrada ao risco de lesões, especialmente as ligamentares.
- Fase Lútea (dias 15 a 28): Pode vir acompanhada de retenção de líquido, sensação de cansaço e alterações no sono. Priorizar um sono regular, hidratação adequada e uma boa alimentação é crucial.
Ferramentas para o Autoconhecimento e Otimização
Atletas de alto rendimento já utilizam diários menstruais, dosagens hormonais e aplicativos de monitoramento para mapear as variações do ciclo. Em equipes e clubes, essa monitorização permite ajustar os treinos de acordo com o calendário de competições e a fase do ciclo, otimizando a performance e o bem-estar da atleta.
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Fonte: O Tempo