Menino com paralisia cerebral vai à Corrida Brasil Paralímpico
Corrida Paralímpica — ouvir que “não sabia correr” quase fez Henrique desistir, mas esporte e família mudaram a história. Quer entender como uma criança de 5 anos transformou um diagnóstico em conquista e o que a Corrida Brasil Paralímpico representa para inclusão?
Superação e Inclusão: A Jornada de Henrique na Corrida Brasil Paralímpico
O esporte tem o poder de transformar vidas, e a história de Henrique Robertes, de apenas 5 anos, é a prova disso. Diagnosticado com paralisia cerebral do tipo diparética espástica aos 8 meses, o pequeno enfrentou um momento difícil na escola ao ouvir de uma colega que “não sabia correr”. Esse comentário, que o fez querer abandonar suas órteses, foi o ponto de virada para uma trajetória de superação que culmina neste domingo, 24 de maio de 2026, na Corrida Brasil Paralímpico.
Do Diagnóstico à Pista de Corrida
A vida de Henrique foi marcada por desafios desde cedo. Aos 25 dias de vida, uma bronquiolite evoluiu para pneumonia e infecção generalizada, resultando em uma lesão cerebral. O impacto afetou seus membros inferiores, um membro superior e, temporariamente, sua fala. Com o suporte incansável da mãe, a fisioterapeuta Renata Pessoa, ele iniciou estímulos precoces. Aos 3 anos, Henrique conquistou a independência de andar sem apoio, um marco celebrado com orgulho após sua primeira medalha em uma corrida.
O Papel do Esporte na Infância
Para Esther Duarte, psicóloga do esporte no Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o esporte é fundamental para a construção da identidade infantil. O preconceito pode gerar insegurança e baixa autoestima, mas a prática esportiva atua como um antídoto. Ela ajuda a criança a reconhecer suas próprias capacidades, promovendo autonomia, confiança e habilidades sociais essenciais para o desenvolvimento saudável.
Corrida Brasil Paralímpico: Um Evento de Celebração
O evento deste domingo acontece no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, marcando os 10 anos do CT. A programação é inclusiva e aberta a todos, com vivências em modalidades como basquete em cadeira de rodas e futebol de cegos. Segundo José Antônio Freire, presidente do CPB, o objetivo é naturalizar a inclusão, focando sempre no potencial de cada indivíduo.
Iniciativas de Inclusão do CPB
Além de eventos pontuais, o CPB mantém a Escola Paralímpica de Esportes. O projeto é gratuito e oferece iniciação esportiva para jovens de 7 a 17 anos com deficiências físicas, visuais ou intelectuais. Com 15 modalidades disponíveis — incluindo natação, atletismo e judô —, o programa oferece todo o suporte necessário, como transporte e alimentação, para garantir que a inclusão seja acessível a todos.
A Estreia dos “Paramigos Imparáveis”
A corrida também será o palco da primeira aparição presencial dos Paramigos Imparáveis. Esta série de animação foi criada pelo CPB para apresentar o universo dos esportes adaptados de forma lúdica. A ideia é que, através da identificação com as histórias e aventuras dos personagens, as crianças possam aprender sobre diversidade e superação de maneira leve e natural.
Fortalecendo a Próxima Geração
Renata Pessoa destaca que o incentivo ao esporte é uma ferramenta de proteção. Ao fortalecer Henrique diariamente, ela busca prepará-lo para lidar com os desafios do mundo. A criação inclusiva, que também envolve a irmã de Henrique, foca em combater o olhar de piedade e valorizar a singularidade de cada pessoa. Como reforça a psicóloga Esther Duarte, o ambiente familiar e escolar é o alicerce para que a deficiência nunca seja vista como um impedimento para o sucesso e a felicidade.
Fonte: RevistaCrescer.globo.com
